<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-586439666096100177</id><updated>2011-07-08T02:25:43.291-07:00</updated><title type='text'>A Rita na Índia</title><subtitle type='html'>O relato de Ana Rita Seixas, da sua experiência na Índia, no âmbito de um voluntariado por uma ONG</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://namasterita.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/586439666096100177/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://namasterita.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Dri por Ana Rita Seixas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-586439666096100177.post-6667794434870534642</id><published>2009-09-25T09:57:00.000-07:00</published><updated>2009-09-25T10:02:40.815-07:00</updated><title type='text'>O Regresso a Casa</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_99bQjSIp8WE/Srz3mc7QDTI/AAAAAAAAAC0/jHVD-TthERs/s1600-h/rita.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385451494400068914" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_99bQjSIp8WE/Srz3mc7QDTI/AAAAAAAAAC0/jHVD-TthERs/s320/rita.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fecham-se por aqui as páginas destas narrativas. Escrevo já em casa, onde cheguei há cerca de 24 horas. No aconchego dos mimos, do reconhecer das rotinas, do sentimento bom de estar rodeada dos rostos a quem quero tanto bem. Recordar o sentir da estranheza, ao passar na primeira classe do avião, e ver os assentos transformados em quase-cabines individuais; já no meu banco, ter um écran à minha frente com cinquenta filmes à minha disposição, 200 cds, televisão, rota de viagem, temperatura exterior, e muito mais que não tive paciência para descobrir. Olhar em redor e ver centenas de pessoas de auscultadores nos ouvidos, olhando o écran, poucas palavras trocadas com a pessoa do lado. Dar por mim a reflectir sobre a noção de espaço individual, admitir que por vezes a levemos ao exagero. Ou talvez seja o choque de chegar de Índia onde o conceito de privacidade não existe: onde somos alvo de todos os olhares; onde não é possível passar uma hora num parque sem 5 pessoas virem conversar connosco; onde desesperamos pelo difícil que é estar num espaço público a ler um livro sem ser incomodado; afinal, se alguém está sozinho, está de certeza triste... O Arun, o filho dos meus senhorios em Jaipur, diria, ao recordar as suas viagens de metro quando visitou a irmã que vive em Londres: "Tão aborrecido!! Toda a gente a ler o jornal, ou a mexer no telemóvel ou no PDA... Ninguém com quem falar!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei as últimas semanas em Leh, Ladakh: uma das mais pacíficas regiões indianas, encaixada entre a Caxemira e o Tibete. É um pequeno paraíso a mais de 3500 metros de altitude, descoberto entre montanhas rugosas, castanhas, desertas. Em Ladakh temos a sensação de que estamos isolados do mundo. E por vezes ficamos. É difícil chegar: um mínimo de 19h (eu demorei 21h30) a percorrer uma estrada sinuosa onde o alcatrão é raro, e os buracos e pedras tantos que o nosso corpo vive saltos permanentes. A 15 de Setembro, as estradas são cortadas por causa da neve, e voltam a reabrir apenas em Junho. Durante os restantes 8 meses, Ladakh apenas pode ser alcançada por avião - quando o tempo o consente. As temperaturas atingem os 40 graus negativos. Vasculhando os mercados, experimentei todos os produtos possíveis feitos de alperce - secos, em compota, sumo, creme para o corpo e esfoliante. Fiz yoga com mais 50 pessoas no Shanti Stupa, o vale de Leh aos nossos pés. Estive entre milhares de ladakhis e tibetanos nas conferências públicas do Dalai Lama. Fui voluntária num festival de música do mundo. Subi a 5606 metros de altitude, e regressei a Leh de bicicleta. Estive num lago azul, cercado de montanhas castanhas, com a sensação de que estava num dos lugares mais bonitos do Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da paz de Ladakh, regressar foi como redescobrir a Índia de novo. Constatar com surpresa a quantidade impressionante de pessoas por metro quadrado. Voltar a ouvir a sinfonia infernal das buzinas. Maravilhar-me com a beleza das mulheres, das cores flutuantes dos saris. Não sei é fácil gostar da Índia. Para mim, confesso, não foi. Maravilhada com a diferença, sim. Curiosa com a diversidade, também. Encantada... demorou. Custava-me a enormidade de lixo nas ruas, cansava-me a desorganização em que funcionava o formigueiro de gente, desapontava-me a falta de espiritualidade que sonhava encontrar lá. Despedir-me da Índia como eu a imaginava e encontrar uma Índia muito mais especial do que essa levou algum tempo. Mas aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, é tempo de voltar. Deixando para trás uma Jaipur de temperaturas finalmente toleráveis, onde as mangas desapareceram das bancas dos vendedores de rua, substituídas por mais romãs, maçãs, e uns citrinos de casca verde e tamanho gigante. Feliz por voltar: são grandes e muitas as saudades. Feliz por ter ido: o coração cheio. Não porque todos os momentos foram bons e fáceis. Mas porque vivi coisas que foram muito importantes para mim. Porque conheci gente muito bonita. E em nenhum momento desejei estar em qualquer outro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo mais algumas fotos (&lt;a title="blocked::http://www.flickr.com/photos/40540484@N07/" href="http://www.flickr.com/photos/40540484@N07/"&gt;http://www.flickr.com/photos/40540484@N07/&lt;/a&gt;) Feliz por poder ter partilhado esta Índia (que é somente a minha Índia) convosco. Feliz por vos ter tido a partilhá-lha comigo. Grata a esta vida que me continua a dar muito mais do que a minha imaginação consegue pedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo agora perto =)&lt;br /&gt;Ana Rita Seixas&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/586439666096100177-6667794434870534642?l=namasterita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://namasterita.blogspot.com/feeds/6667794434870534642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://namasterita.blogspot.com/2009/09/o-regresso-casa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/586439666096100177/posts/default/6667794434870534642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/586439666096100177/posts/default/6667794434870534642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://namasterita.blogspot.com/2009/09/o-regresso-casa.html' title='O Regresso a Casa'/><author><name>Dri por Ana Rita Seixas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_99bQjSIp8WE/Srz3mc7QDTI/AAAAAAAAAC0/jHVD-TthERs/s72-c/rita.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-586439666096100177.post-2280848414254565400</id><published>2009-07-20T03:21:00.001-07:00</published><updated>2009-07-20T03:28:36.726-07:00</updated><title type='text'>Namaste...</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Namaste!...=) A monção chegou finalmente, mais de um mês depois do esperado. O céu está mais vezes cinzento, os insectos crescem de tamanho, as picadas de mosquitos são mais frequentes, o calor mais fácil de suportar. Temos o cheiro da terra molhada e o pôr-do-sol no telhado é mais magnífico do que nunca. Jaipur enche-se de europeus e o número de estagiários cresce todos os dias: chegámos aos 80 e espera-se que ultrapassemos os 100. Mas mais do que dar boas vindas, eu vou fazendo despedidas: um a um, partem muitos dos que me são mais queridos aqui. Estadias mais ou menos longas, todos temos timings diferentes. Misterioso acaso da vida que nos juntou aqui. &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360486843095139922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_99bQjSIp8WE/SmRGYfnXRlI/AAAAAAAAACs/wnhK7nTaKE0/s320/3731617774_e0490062c7_m.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Nos entretantos do meu silêncio de e-mails, viajei a dois lugares muito especiais. Um, Dharamsala; dois, Nepal. Dharamsala, no norte indiano, acolhe o Dalai Lama e o governo tibetano no exílio. Um paraíso de bandeiras tibetanas a acenar a paz nas montanhas. E uma energia muito especial. Sem cruzar fronteiras, a sensação é a de que entramos num outro país. Indianos são poucos, tão viajantes como os demais rostos do mundo que se cruzam por ali. As histórias são mais ou menos parecidas: chega-se de máquina fotográfica em punho, esquece-se no quarto pouco depois. Dharamsala é para sentir. Vêm-se por dois dias, fica-se por dois meses. Cada café é uma potencial casa de velhos desconhecidos; traz-se um livro e passa-se a tarde, narrativas de uma vida e uma experiência de yoga dois dias atrás. Cruzamos monges budistas vestidos de vermelho escuro e amarelo, e tibetanos rodando contas de oração com os dedos. Há uma paz no olhar destas pessoas à qual não conseguimos ficar indiferentes; mais ainda quando pensamos na sua história de tortura e exílio... &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360486826585374354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_99bQjSIp8WE/SmRGXiHIPpI/AAAAAAAAACM/SLh2GA4p09k/s320/3730825775_2d69302172_m.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Outros dias lindos, passei-os no Nepal. Uma viagem cheia de contratempos e contudo... perfeita. Não pudemos subir a Punhill porque um autocarro se incendiara dias atrás e a estrada continuava obstruída. A chuva intensa das monções encharcou-nos as roupas e as malas, encheu-nos as pernas de mordidelas de sanguessugas. E todavia os sentidos não tiveram como não se render à imensidão do verde das montanhas e à beleza dos campos de arroz semeados de trabalhadores: pernas enterradas na água até aos joelhos, costas curvadas e protegidas da chuva por uma estrutura de palha, rostos serenos que se levantam invariavelmente para nos cumprimentar quando passamos. &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360486832047852066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_99bQjSIp8WE/SmRGX2dfCiI/AAAAAAAAACc/9bgxEiDHqX8/s320/3731615976_37ea8302fb_m.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;As crianças erguem e juntam as mãos em “namaste” à beira da estrada. As nossas vozes apagam-se e, aos poucos, ganha o momento de cada passo e o silêncio por trás de cada gota de chuva. Somos só nós e essa força que liga o mundo. &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360486836407128466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_99bQjSIp8WE/SmRGYGs0UZI/AAAAAAAAACk/THkwq8Dhslk/s320/3731616930_717c2dc233_m.jpg" border="0" /&gt;Há uma paz que não se explica, existe. Comemos a mais deliciosa sopa de noodles cozinhada por uma nepalesa numa cozinha à beira da estrada, enriquecida com os cogumelos que o nosso guia apanhou no caminho. Durante a tarde, paramos a cada 10 minutos para descobrirmos sanguessugas nos tornozelos e na barriga das pernas. Retiram-se: às vezes a tempo, às vezes não. Bebemos um chá de leite numa tasca que tem uma coruja como animal de estimação. &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360486830542313378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_99bQjSIp8WE/SmRGXw2iV6I/AAAAAAAAACU/uluCtin52mM/s320/3731615120_b513c35e88_m.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O nevoeiro é denso quando ao fim da tarde chegamos à pousada. O cansaço adormecido pelo aconchego de um banho quente seguido de um chá de folhas verdes de canela. A noite é de chuva intensa que a manhã não abranda. Não temos outra opção que não ficar por aqui. Pequeno-almoço quente para agasalhar da humidade, e preparar para longas horas partilhadas entre pessoas que não se conhecem tão bem quanto isso. O pai nepalês traz-nos livros que outros viajantes foram deixando. Um deles é uma história para crianças. A Julie conta, em voz alta, a história de Doris, a gigante que vivia nas nuvens e distraía a solidão atormentando com traquinices os humanos, até ao dia em que do outro lado do céu ouviu a voz de outro gigante. E num dia atravessou o mundo para descobrir Boris, o gigante – com quem partilhou os dias todos que houve depois desse. Uma roupa mais aconchegada, um baralho de cartas, as almofadas junto à parede de janelas sobre o vale. O filho mais novo dos nossos anfitriões, que tem 3 anos, nos serve chá e se senta em frente a um livro para aprender inglês, refere-se aos estrangeiros que chegam como “hallos”. Ao fim da tarde, as nuvens começam finalmente a dissipar-se. Subimos ao telhado para assistirmos ao lento descobrir do nevoeiro. O sabor que tem esperar 30 minutos, 40 minutos, talvez uma hora? pelo espectáculo imenso das montanhas que tocam o céu: tudo o que sempre esteve ali, e só agora conseguimos ver.&lt;br /&gt;Tentei o flickr para o partilhar convosco:&lt;br /&gt;&lt;a title="http://www.flickr.com/photos/40540484@N07/" href="http://www.flickr.com/photos/40540484@N07/"&gt;http://www.flickr.com/photos/40540484@N07/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Espero que funcione...=)&lt;br /&gt;Abraço grande, a guardar todas as saudades.&lt;br /&gt;Cuidem bem de vocês!...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/586439666096100177-2280848414254565400?l=namasterita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://namasterita.blogspot.com/feeds/2280848414254565400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://namasterita.blogspot.com/2009/07/namaste.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/586439666096100177/posts/default/2280848414254565400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/586439666096100177/posts/default/2280848414254565400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://namasterita.blogspot.com/2009/07/namaste.html' title='Namaste...'/><author><name>Dri por Ana Rita Seixas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_99bQjSIp8WE/SmRGYfnXRlI/AAAAAAAAACs/wnhK7nTaKE0/s72-c/3731617774_e0490062c7_m.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-586439666096100177.post-3691817640786982981</id><published>2009-07-20T03:09:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T03:11:36.910-07:00</updated><title type='text'>O dia-a-dia em Juipur</title><content type='html'>Aqui estou de novo. 44ºC de máxima. Nas noites, conseguimos 28ºC. Não há ar condicionado e as ventoinhas não são suficientes para arejar os quartos com exposição directa ao sol. Invariavelmente, depois de jantar, eles levam as camas para o jardim ou para o telhado, para&lt;br /&gt;dormir: uma armação leve de alumínio com tiras entrelaçadas de tecido, leve e fácil de transportar. Às vezes, junto-me a eles. Dormimos com o céu como lençol.&lt;br /&gt;Não sei se pela luz ou pelo calor, acordo, invariavelmente, às 6h da manhã, desde o primeiro dia em que cheguei. Aos poucos, vou-me convidando e sendo convidada para me juntar às rotinas: acompanho alguém num passeio matinal, ou vou com o Govind buscar leite de búfalo à cooperativa, de bicicleta. Às 7h, é o acordar geral e reunião obrigatória para o chá. Há jornais, mas apenas em hindi. Hoje o trabalho começou às 8h00, com a minha segunda visita a um Balwari (jardim-de-infância). Amit, o coordenador, explicou-me que este Balwari tinha sido construído para apoiar um conjunto de famílias de uma casta nómada com a qual a ONG trabalha e à qual tenta oferecer alguma estabilidade. Para lá do portão, um recinto a céu aberto com alguns baloiços e escorregas de aspecto ferrugento - que, apesar de grande, apenas pode ser usado nos meses de menor calor. No exterior, um tanque de água construído pela ONG para apoiar o Balwari e a comunidade. No interior, duas salas apenas: numa, funciona a cozinha, onde diariamente é preparada uma refeição para cada criança; na outra, a sala de aulas, um espaço que me parece incrivelmente pequeno para as supostas 30 crianças inscritas. Hoje, cerca de 17 estavam presentes.&lt;br /&gt;Misturam-se todas as idades, os mais crescidos fazendo as actividades propostas que os mais pequenos, incapazes de os acompanhar, olham em silêncio. É incrível o silêncio e a quietude destas crianças. São todos incrivelmente bem comportados e obedientes. É assustador. No fim-de-semana pude comprar um jornal em inglês, e fiquei a conhecer a história de uma menina de 11 anos, Shanno. A professora obrigou-a a ficar 2h ao sol, com 7 tijolos em cima das costas, como castigo. Ela obedeceu. Poucas horas depois, deu entrada no hospital, onde morreu. O jornal era um levantamento de vozes críticas a este sistema onde a obediência é o maior valor.&lt;br /&gt;Há tanta coisa que não percebo e tantas perguntas que não consigo ver respondidas. Tenho tentado aprender hindi, mas ainda estou bem no início do bê-à-bá. A língua é um obstáculo, mais ainda quando os tradutores são poucos e nem sempre estão disponíveis. Só 3 pessoas são capazes de ter uma verdadeira conversa em inglês. Com o inglês "tutti-futti"dos outros (expressão deles), a comunicação é possível com tempo e paciência, e a verdade é que tem sido cada vez mais fácil, à medida que os laços se criam. Mas fez-me muito bem, no fim-de-semana, conhecer os outros estagiários que estão em Jaipur e poder, finalmente, partilhar sensações e histórias… Nem sempre tem sido fácil este desligamento do mundo. Mas sei que também estou a ter o privilégio de conhecer a Índia pelos olhos de indianos, e não o trocava por nada. Com alguma persistência, sei que posso conseguir juntar ambos os mundos e sentir-me a ter o melhor deles... Ontem, por exemplo, acompanhei o Prashant (que está a fazer uma espécie de período de oração) e mais dois colegas ao templo. Aqui há deuses para todos os gostos e templos para outros tantos: desde pequenos altares no meio do nada até templos enormes e famosos onde só se vai com convite. O templo a que fomos tinha o tamanho aproximado de uma capela: um conjunto de cores e formas que lembra um castelo de conto de fadas no meio desta planície seca e miserável. Ainda fora, à entrada, havia um monte de cocos no chão. O Prashant partiu um e recolheu o fruto. Ao entrar, tocámos um sino, a anunciar ao deus a nossa chegada. Dentro, paredes revestidas por milhares de azulejos pequeninos, que misturam cores e espelhos, dando um brilho incrível ao lugar. Entrega-se o coco e o incenso. No centro da sala, a estátua do deus repousa dentro de uma pequena casinha, à volta da qual circulámos. As nossas mãos tocam as paredes e logo a seguir o nosso corpo, como se dessa forma deus entrasse em nós. Velas acesas, um homem iniciou uma oração com sinos e incenso. No fim, cada um recebeu um punhado de Prasard, a comida que os fiéis entregam aos deuses e lhes é depois distribuída: pedaços de coco misturados com bolinhas brancas de açúcar. Comemos o que nos apeteceu, sentados na pedra das escadas. O que sobrou veio connosco para o campus. Guarda-se deus num saco de plástico transparente e come-se quando dele se precisa.&lt;br /&gt;Deixo saudades doces para todos. Continuem a cuidar bem de vocês, sim?!?&lt;br /&gt;Beijinho grande, muito grande.&lt;br /&gt;r.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/586439666096100177-3691817640786982981?l=namasterita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://namasterita.blogspot.com/feeds/3691817640786982981/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://namasterita.blogspot.com/2009/07/o-dia-dia-em-juipur.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/586439666096100177/posts/default/3691817640786982981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/586439666096100177/posts/default/3691817640786982981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://namasterita.blogspot.com/2009/07/o-dia-dia-em-juipur.html' title='O dia-a-dia em Juipur'/><author><name>Dri por Ana Rita Seixas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-586439666096100177.post-9076511461668421081</id><published>2009-07-20T03:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T03:09:12.385-07:00</updated><title type='text'>Os primeiros dias...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para satisfazer curiosidades, e porque quero e me faz bem partilhar, aqui vai um cheirinho das primeiras impressões do país das especiarias…&lt;br /&gt;O e-mail demorou a chegar porque o acesso à internet não tem sido fácil, em terras indianas. Raro e lento. Mas, pelo menos, finalmente tenho o meu cartão de telemóvel indiano! Estou numa aldeia que se chama Khedi-Milak, a 55 Km de Jaipur, a capital do Rajastão (o que equivale a 1h30 de viagem). Os 260 Km que separam Jaipur de Delhi demoram 6 horas a percorrer, de autocarro, numa estrada plana e quase sem curvas. A aterragem tem sido um constante de sensações: das cores dos saris que as mulheres vestem ao cheiro puro e intenso de algumas flores, o sabor forte e spicy da comida, cujos ingredientes tenho, muitas vezes tenho dificuldade em definir.&lt;br /&gt;O chá é bebida obrigatória várias vezes ao dia: uma mistura bem fervida de leite (de búfalo), chá, açúcar e gengibre. O sol é forte e muito quente a partir das 11h, mas dentro das salas as ventoinhas mantêm a temperatura muito agradável. As manhãs e as noites são frescas e arejadas. Vivo num campus, onde moram outros colaboradores da ONG, e que é também o nosso local de trabalho. Tenho consultado a documentação das actividades da ONG, já fiz duas visitas ao terreno.. . As crianças pobres do meio rural são a principal preocupação da ONG: na educação, higiene, saúde e direitos. Como os jardins-de-infância do governo ficam na cidade, eles construíram jardins-de-infância privados nas aldeias. Dão formação a mulheres, educadores, adolescentes: promovem o aleitamento materno, lutam contra o casamento precoce das meninas, assumem a educação sexual. A pobreza é extrema. As famílias vivem à base da agricultura e da pastorícia. Mas não estamos longe do deserto de Thar, e perto fica um famoso lago, rico em sal:&lt;br /&gt;os terrenos são por isso alcalinos, pobres e secos. Nos últimos anos, a escassez de chuvas tem agravado a situação. A ONG tem ajudado a construir sistemas que permitam a recolha de água durante a época das monções, e o seu consumo possa ser dividido durante o ano. Foram criados grupos de auto-ajuda de mulheres, nas aldeias. Reúnem-se mensalmente e entregam as suas&lt;br /&gt;poupanças. Só assim conseguem reunir o suficiente para poder abrir uma conta no banco, e terem acesso a algum crédito. De acordo com as necessidades de cada uma, vão usando à vez o dinheiro recolhido: para comprar um búfalo, adquirir um carro puxado por um camelo, pagar a educação dos filhos. Como o dinheiro que os bancos emprestam depende do montante da conta, o próximo objectivo da ONG é juntar as poupanças de todos os grupos numa só conta, que&lt;br /&gt;funcionará como um fundo. Enquanto os governos distribuem dinheiro às empresas a fundo perdido, aqui fazem-se bancos de sementes: cada agricultor se compromete a entregar, após a colheita, o mesmo número de sementes que recebeu para a fazer…&lt;br /&gt;A discriminação de género é gritante. Conhecer o sexo do bebé antes do nascimento é proibido por lei, mas as famílias estão dispostas a pagar elevados montantes para o saber. Cerca de 90% dos abortos são de bebés do sexo feminino. A maioria das mulheres são sub-alimentadas, anémicas, obrigadas a trabalhar duramente no campo, impedidas de ter contacto com homens que não pertençam ao seu círculo familiar. É nestes meios rurais que  as situações são mais graves e complexas, e a discriminação mais amputa as liberdades. Mas, de acordo com aqueles que são os meus parâmetros, ela existe também nas famílias de castas superiores, educadas e com rendimentos. As mulheres tiram cursos superiores, falam com os homens de igual para igual, podem trabalhar... Mas, depois de casadas, a decisão sobre manter uma carreira profissional cabe ao marido e à família deste. E a naturalidade com que isso é aceite não deixa de me chocar.&lt;br /&gt;Mas o ambiente é incrivelmente acolhedor. Sou a única estagiária, e a primeira estrangeira a trabalhar mesmo na ONG. Tento adaptar-me o mais possível aos ritmos e modos de vida deles, mas não consigo não despertar a curiosidade com os meus hábitos ocidentais. Respeitam-me e são extremamente amáveis e preocupados com o meu conforto. Nem todos falam inglês, e os sotaques dificultam a compreensão de algumas palavras, mas é fantástico o modo como o ser humano consegue comunicar... Somos tão mais iguais do que diferentes. À  minha volta, no terraço que ocupa todo o telhado, uma planície a perder de vista, com imensas árvores. Nos tons secos da paisagem, as cores vivas e esvoaçantes dos saris são um espectáculo magnífico. Amarelos, laranjas, azuis, vermelhos… Aqui e além, *Kuchha house*s: pequenas casas de barro, que fazem adivinhar mínimas condições de higiene e segurança. Búfalos, vacas, gado. Os edifícios do campus são o que eles denominam *Pakka house*: casas em cimento. Aqui, pouco existe que possa ser tido como objecto de decoração. Pouco ou nada para além de cartazes com figuras dos deuses hindus. Os homens circulam de calças e camisa, um aspecto formal em desacordo com os chinelos de dedo que usam e deixam à entrada das salas.&lt;br /&gt;Andar descalço é a regra, sem excepção. Talvez precisamente pela nudez decorativa e um total sacrifício da beleza à utilidade, as mulheres impressionem tanto. Corpos esqueléticos cobertos por tecidos esvoaçantes de cores lindíssimas, mais ou menos trabalhados, pulseiras de cor nos pulsos (que, com a pinta vermelha na testa, são marcas de casamento), de prata nos&lt;br /&gt;tornozelos, piercings, anéis nos dedos dos pés...&lt;br /&gt;A estranheza do primeiro dia vai-se desvanecendo. O trabalho entusiasma. As saudades estão cá todas… Mas a lembrança aconchega. E o maravilhoso mundo das telecomunicações vai certamente ajudar. Ficarei mais descansada se vos souber bem, por isso… cuidem de vocês =)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Beijinho muito, muito grande deste lado do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/586439666096100177-9076511461668421081?l=namasterita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://namasterita.blogspot.com/feeds/9076511461668421081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://namasterita.blogspot.com/2009/07/os-primeiros-dias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/586439666096100177/posts/default/9076511461668421081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/586439666096100177/posts/default/9076511461668421081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://namasterita.blogspot.com/2009/07/os-primeiros-dias.html' title='Os primeiros dias...'/><author><name>Dri por Ana Rita Seixas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
